terça-feira, 29 de março de 2011

TÓPICOS DE FILOSOFIA: A CIÊNCIA, O CONHECIMENTO, O TEMPO E DEUS


Amados, a Paz do Senhor!

Continuando esta série sobre Filosofia, abaixo mais um artigo, trazendo à lume o conceito de ciência, perpassando pelo conhecimento, o tempo e finalizando com Deus, numa interligação dialética.

A CIÊNCIA, O CONHECIMENTO, O TEMPO E DEUS

As chamadas ciências modernas são uma aventura relativamente nova da razão e, antes de existirem, a palavra ciência já era conhecida e utilizada para designar muito mais que conhecimentos técnicos sobre a natureza. Ciência já teve um sentido muito mais vasto, significou conhecimento certo ou mesmo sabedoria.

Dependendo da época e dos autores, os tipos de conhecimentos podem variar muito, tanto em quantidade quanto em qualidade. Por exemplo, dois escritores brasileiros (PARRA FILHO e SANTOS, 1998) tentaram falar sobre os tipos de conhecimento em um livro de metodologia. No seu texto esses dois autores apontam conhecimentos como o intuitivo que vêm dos sentidos como a visão, a audição etc. Conhecimento racional que seria fruto quase que somente da razão e o conhecimento intelectual. Para esses autores essa última forma de conhecimento reúne a experiência (que eles chamam de intuição) e também a razão.

Bem, para eles o conhecimento científico é bem diferente e talvez melhor que todos esses citados.
Aquele conhecimento que todos temos no dia-a-dia das nossas vidas e que é comum nas pessoas mais idosas é denominado por Parra Filho e Santos de “[…] conhecimento vulgar […]” (p. 51).

Não creio que seja um problema dos autores citados acima, mas penso que há aqui uma dose de menosprezo já que, vulgar, entre outras coisas, pode significar algo desprezível e banal. Esse conhecimento que hoje parece desprestigiado pode ser bem aproveitado. Dissemos acima que dependendo da época e da pessoa que avalia o conhecimento, a importância de cada saber pode variar; é disso que gostaria realmente de tratar.

Um cearense, Manfredo Oliveira (1993), entende que a época em que vivemos influencia nosso pensamento muito mais do que imaginamos: o saber é determinado pela época em que é produzido. Vamos ver como é isso.

Aristóteles entendia que conhecer é algo próprio, natural do ser humano. Mas afirma, em uma de suas obras (Ética a Nicômaco) que aqueles nossos conhecimentos que produzem coisas úteis são conhecimentos de menor importância para a humanidade. Aristóteles vivia em um tempo em que a filosofia era o conhecimento mais valorizado e não se preocupava com a utilidade, como nos preocupamos hoje, no nosso tempo científico.

Muitos séculos depois de Aristóteles, já na Idade Média, Santo Agostinho entendia que o conhecimento não vem do homem, mas do Criador. Segundo Andery et al. para Agostinho, “É por meio da iluminação divina que o homem, por um processo interior, chega à verdade; não é o espírito (a mente humana), portanto, que cria a verdade, cabendo-lhe apenas descobri-la e isso se dá via Deus” (2001, p. 149).

Ou seja, para Aristóteles, que vivia na Grécia, onde a filosofia era muito importante e que não conheceu o Deus dos cristãos (com a nossa noção teológica de hoje), o conhecimento era produzido pelo homem, mas não devia se preocupar com coisas úteis e sim com as essências.

Para Agostinho, um autor cristão que viveu em uma época que valorizava a religião, o conhecimento tinha origem em Deus e até deveria, prioritariamente, se preocupar com as coisas do Criador.

Cada um dos conhecimentos tem características bem específicas. Qual o melhor deles? Bem, depende de para quem você fará a pergunta. Se fizer a pergunta para um filósofo possivelmente receberá uma resposta de que o mais importante é o conhecimento via filosofia, um cientista achará que é o científico e assim por diante. Mas e o religioso, não seria superior a todos os outros? Responder a essa pergunta sem ser corporativista é tarefa árdua, mas a essência desse artigo reside na palavra conhecimento.

Como se conhece a Deus? Primeiro, se a pessoa não internalizar a noção de que há um ser superior a este plano de existência, e que (este plano)na maioria das vezes é injusto, nos sufoca, nos explora, e às vezes nos faz cometer atrocidades e sérios desvios de conduta em prol de um “aparelhamento social”, de “convenções humanas”, é difícil admitir, por si só, sua existência (de Deus), quanto o mais conhecê-lo.

Contudo, ao longo da história, muitos homens e mulheres se dispuseram a essa aventura metafísica e lograram êxito na caminhada, partindo de três importantes momentos que, acredito, podem ser usados em nossa contemporaneidade:

a) Admitir que nosso conhecimento é limitado, mesmo nos “corredores da ciência”. Como seres humanos, somos sujeitos a falhas, inclusive na nossa maneira de apreender as coisas, de ver o objeto de ângulos que não nos permitam perceber a verdade. É bom lembrar grandes “descobertas” científicas que, quando esquadrinhadas, não resistem ao tempo. O átomo era “indivisível” na década de 80. Hoje, já é divisível.

b) Admitir que uma mente humana, limitada pelo tempo e pelo ocaso natural da vida, não pode conceber, no tempo em que vivemos aqui, todas as respostas necessárias ao nosso desejo de saber. Como diz um teórico, “...começamos a morrer no dia em que nascemos”. Assim, a vida humana é uma jornada que sabemos ter início, apogeu (se resistirmos ao tempo) e fim (natural para todos nós). Por isso é natural que uma aparente verdade “científica” desse século não resista ao século seguinte, por conta do dinamismo do conhecimento.

c) Admitir que, onde eu não consigo ver nada, outros podem se destacar. Muitas das vezes não aceitamos determinado ponto de vista porque simplesmente ele não saiu de nós, não fomos a “fonte”. Assim, conceitos como o primeiro motor – motor imóvel (Aristóteles), as cinco vias (Aquino), o discurso do método (Descartes) e a famosa frase “Je pense, donc je suis (citada frequentemente em latim como "cogito ergo sum"): o ato de duvidar como indubitável, e as evidências de "pensar" e "existir" ligadas.

A existência de Deus, em Descartes, é provada porque, existindo a razão e o pensamento, é preciso haver um fiador dessa razão e desse pensamento, algo que lhe dê coerência. Pela razão, existe Deus. Trata-se da retomada do pensamento de Aristóteles, do "noesis noeseos" (pensamento do pensamento), ou o "motor imóvel". Além disso, Descartes demonstra que as idéias de perfeito, infinito e similares, são tão transcendentes a ele, ser imperfeito e finito, que é preciso haver algo de onde essa idéia venha, que não o próprio ser pensante:

"Ensuite de quoi, faisant réflexion sur ce que je doutois, et que par conséquent mon être n'étoit pas tout parfait, car je voyois clairement que c'étoit une plus grande perfection de connoître, que de douter, je m'avisai de chercher d'où j'avois appris à penser à quelque chose de plus parfait que je n'étois; et je connus évidemment que ce devoit être de quelque nature qui fût en effet plus parfaite. (…) C'est à dire, pour m'expliquer en un mot, qui fût Dieu." (Discurso, parte 4). Tradução: ("A seguir, fazendo a reflexão sobre o fato de que eu duvido, e que por conseguinte meu ser não era absolutamente perfeito, porque eu via claramente que era perfeição maior conhecer do que duvidar, eu percebi que dessa reflexão concluía a existência de algo mais perfeito que eu era; e eu claramente percebi que essa percepção vinha de uma natureza que era de fato mais perfeita [que a minha]. (…) Para ser dito em uma palavra, que era Deus.")

Concluindo esse artigo, acredito que qualquer ser humano que palmilhe atualmente essa terra tem imperfeições e méritos e gosto de pensar que valorizar os méritos é mais producente do que apontar os defeitos, porque se todos os temos, eles se excluem na idéia de que não há ser humano perfeito. Agora, nos méritos, observe que eles não são iguais e, quando organizados, todos nós ganhamos conhecimento.

Assim, quando a ciência admite que há uma "Design Inteligente" para um universo tão organizado como o nosso e ficamos num frenesi científico/metafísico, eis que surge a Física Quântica, que estuda as órbitas dos elementos em torno do átomo e teoriza que “tudo é possível”, admitindo a existência de Deus, na pessoa de Stephen Hawk, matemático e Físico inglês, depois de formular sua teoria da criação do universo, quando cita em sua última frase no texto:

“Nada seria possível se não existisse um criador”.

Batemos o martelo? Respeitando a ciência e todos os desdobramentos possíveis (a nós, seres humanos), eu não tenho a mínima dificuldade em internalizar esses conceitos e vivê-los em profusão, sem perder o link seguro com a ciência e suas ferramentas críticas.

E você, como estudante, pesquisador, cientista ou cristão, o que pensa a respeito?

Lago da Pedra, 19 de janeiro de 2011.

Prof Damasceno

2 comentários:

Anônimo disse...

A própria ciência (física quântica )diz que tudo é possível! ela teoriza de forma que, nos remete a crer na existencia de um ser oniciente ,onipotente e que tem o controle de todas as coisas, pois o pensamente é proveniente de outro, esse é formidável, pois a origem desse é oriuda do próprio criador ( DEUS )Pastor jonrci

Prof Damasceno disse...

É verdade, meu companheiro... Deus continue te abençoando... nos laços do Calvário,

Damasceno