sexta-feira, 2 de agosto de 2013

AGENDA 2013

Pr. Raimundo DAMASCENO dos Santos
(Lago da Pedra - MA., BRASIL)- Email: damasceno_santos@hotmail.com CELULARES: (99) 8105-3000 (TIM) ou (99) 9128-8887 (VIVO). TWITTER: @pr_damasceno


COMO AGENDAR? Pode enviar e-mail para o endereço acima, ligar nos telefones celulares ou recados no twitter. Esta agenda é uma organização da minha vida ministerial para o ano de 2013. Vou informar, primeiramente, a agenda da CEADEMA, minha convenção. Abaixo, informo a minha agenda. Em algumas datas de trabalhos convencionais eu não posso atender a convites (Mini-convenções, Escola Bíblica de Obreiros, AGO, Congresso Estadual de Missões e Mobilização Missionária).


AGENDA ABERTA

AGENDA CEADEMA 2013
• 1ª ETAPA DE TREINAMENTO DE INGRESSO
07 a 10 de fevereiro – Santa Inês – MA
• 1ª MINI-CONVENÇÃO
20 a 22 de fevereiro – Pio XII – MA
• 2ª ETAPA DE TREINAMENTO DE INGRESSO
18 A 21 de abril – Coque – MA
• CONGRESSO ESTADUAL DE MISSÕES
07 a 09 de junho – Cohatrac – São Luís
• 3ª ETAPA DE TREINAMENTO DE INGRESSO
13 a 16 de junho – Lago Verde – MA
• 2ª MINI-CONVENÇÃO
19 a 21 de junho – Santa Luzia do Paruá – MA
• 3ª MOBILIZAÇÃO MISSIONÁRIA
06 e 07 de julho – em todo o estado
• 31º CONGRESSO DE DIRIGENTES DE CÍRCULO
DE ORAÇÃO E ESPOSAS DE PASTORES
17 a 19 de julho – Vitória do Mearim – MA
• CONGRESSO ESTADUAL DA UNILÍDER
17 a 20 de outubro – São Mateus do MA – MA
• 21ª ESCOLA BÍBLICA DE OBREIROS
22 a 25 de outubro – Coroatá – MA
• 74ª AGO DA CEADEMA
16 a 20 de dezembro – Chapadinha – MA
Pr. Gildenemyr L. Sousa
Secretário Adjunto da CEADEMA – Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Maranhão
Tels. 98 3312 2035 / 8820 0028 / 8115 1308

MEUS COMPROMISSOS LOGO ABAIXO (Em construção)

04 a 05 de Setembro – AD em Nova Olinda do Maranhão – MA
• Semana de Educação Cristã (Apologética, dia 04 e Escatologia, dia 05/09, sempre das 19 às 22h).

08 de Setembro – AD em Pedreiras – MA
• Simpósio de Missões (Motivos pelos quais algumas igrejas não fazem missões - 08 às 11h).

ALERTA - APROVADO ABORTO NO BRASIL


A presidente Dilma Rousseff acabou de sancionar uma lei que protege vítimas de violência sexual. A lei foi aprovada sorrateiramente no Congresso Nacional recentemente. Não há problema em leis protegendo tais vítimas. Mas, de acordo com essa lei, qualquer mulher pode obter um aborto alegando violência, e não há nenhuma necessidade de evidência médica e legal.
. O anúncio ontem (1 de agosto de 2013) da sanção presidencial foi feito pela ministra Eleonora Menicucci, que explicou que as mulheres brasileiras sofrem um estupro a cada 12 segundos e que a nova lei, PLC 03/2013, será uma solução para a difícil situação delas. Mas a nova lei ajuda mais o aborto do que as vítimas de violência sexual. Tanto Rousseff quanto Menicucci foram ativistas do aborto por vários anos. Ambas eram membros de um violento grupo revolucionário comunista nas décadas de 1960 e 1970. Ambas foram presas na mesma instituição militar por terrorismo. Após a liberação delas, eles começaram a fazer campanhas pelo aborto. Menicucci se gabou de que fez dois abortos, ainda que seja contra a lei no Brasil. Ela disse que foi treinada a realizar abortos na Colômbia em 1995. A nova lei de aborto não solucionará a crise de estupros em massa no Brasil. A impunidade está desenfreada na sociedade brasileira. Os assassinos e os estupradores ficam impunes. Mas as pró-aborto Rousseff e Menicucci asseguraram que os bebês em gestação não ficarão impunes. A nova lei tem um jeito amplo de definir “violência sexual.” De acordo com a Dra. Damares Alves, assessora pró-vida no Congresso Nacional, a lei diz que “violência sexual é qualquer relação sexual não consentida” em seu artigo 2. A Dra. Damares disse que se uma esposa for a um hospital e disser que engravidou do marido por sexo não consensual, ela está qualificada para a condição de vítima de violência sexual. Em sua entrevista para Julio Severo, a Dra. Damares disse que hospitais particulares, católicos e protestantes estarão sob obrigação de se submeter à nova lei e oferecer abortos para mulheres que afirmarem terem engravidado, mediante sexo não consensual, de seus maridos, amantes, namorados, etc. Antes de sua eleição para a presidência do Brasil em 2010, Dilma havia assinado um termo de compromisso com os líderes evangélicos de não aprovar leis de aborto. Ela não manteve sua palavra socialista. Até a recente visita do papa e vários líderes evangélicos a Dilma não foi o suficiente para fazê-la mudar de ideia, ainda que eles nunca tivessem mencionado aborto e matança de crianças para ela. A nova lei é um truque malicioso para abortistas, socialistas, feministas e mulheres sob o feitiço deles. É mais uma mentira para encobrir a violência generalizada no Brasil. Ao número enorme de assassinatos e estupros, o Brasil terá agora matanças de bebês. O derramamento de sangue era uma marca importante no grupo revolucionário onde Rousseff e Menicucci eram membros. O derramamento de sangue é agora sua marca política. Algumas pessoas dizem que os socialistas não comem crianças. Você realmente acredita que as leis malignas deles não fazem isso? Do Blog de Júlio Severo

sábado, 7 de janeiro de 2012

AGENDA 2012

Prof. Raimundo DAMASCENO dos Santos
(Lago da Pedra - MA., BRASIL)
damasceno_santos@hotmail.com
(99) 8105-3000 (TIM) ou
(99) 9128-8887 (VIVO).
TWITTER: @prof_damasceno

COMO AGENDAR? Pode enviar e-mail para o endereço acima, ligar nos telefones celulares ou recados no twiiter. Esta agenda é uma organização da minha vida ministerial para o ano de 2012. Também estou integrando minha agenda pessoal à agenda da CEADEMA 2012, apenas para que os amados que me convidarem saibam que nas datas de alguns compromissos de nossa Convenção eu não poderei ser convidado, pois tenho que participar (Geralmente, as mini-convenções, a Escola Bíblica de Obreiros, e a AGO, sempre em dezembro, são datas que não posso atender a convites). Em 2012 também teremos uma agenda apertada em Missões, e como sou um dos assessores da SEMADEMA, a Secretaria de Missões da Convenção, também estou integrando minha agenda com a agenda de missões estadual da SEMADEMA, mais ainda o 8º Fórum de Missões do Nordeste (Aracajú - SE), além da 2ª Mobilização Estadual, no dia 8 de julho. De setembro até dezembro, provavelmente não atenderei nenhum convite, tendo em vista que nesse ano estaremos hospedando a nossa 73ª Assembleia Geral Ordinária de nossa Convenção, a CEADEMA. Como vocês sabem, quem hospeda pouco usufrui, pois tem de se doar por completo para melhor atendermos os nossos visitantes, que são prioridade.

AGENDA ABERTA

JANEIRO

25 a 29 - 2º Congresso Estadual de EBD (Santa Luzia)

FEVEREIRO

10 a 12 - 1ª Etapa do Treinamento de Ingresso (RAPOSA)
22 a 24 - 1ª Mini-Convenção (COELHO NETO)

MARÇO

22 a 25 - 2ª Etapa do Treinamento de Ingresso (PENALVA)

ABRIL

14 - Formatura da turma "Básico em Missiologia" do CEFOMTA (JUNCO DO MARANHÃO)

MAIO

03 a 06 - 3ª Etapa de Treinamento de Ingresso (BEQUIMÃO)

JUNHO

20 a 22 - 2ª Mini-Convenção 2012 (BURITI CUPÚ)

JULHO

08 - Mobilização Missionária (Em todo o Maranhão)
18 a 20 - 30º Congresso de Dirigentes de Círculo de Oração e Esposas de Pastores (BACABAL)
27 a 29 - 7º Encontro de Filhos de Obreiros (VIANA)


AGOSTO

SETEMBRO

11 a 14 - 20ª Escola Bíblica de Obreiros (TIMON)

OUTUBRO

NOVEMBRO

DEZEMBRO

17 a 21 - 73ª AGO da CEADEMA (LAGO DA PEDRA)


Obs.: nestas datas, eu posso abrir alguma exceção, dependendo da autorização de meu pastor presidente, como, por exemplo, nas datas do Congresso de Dirigentes de Círculo de Oração e do Encontro de Filhos de Obreiros. Nas outras postadas aqui, não há condições de atender ninguém.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O DIA DAS BRUXAS: A HISTÓRIA, A CIDADE, A MENSAGEM


A História:

A origem do halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., embora com marcadas diferenças em relação às atuais abóboras ou da famosa frase "Gostosuras ou travessuras", exportada pelos Estados Unidos, que popularizaram a comemoração. Originalmente, o halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão").

A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando:

Origem Pagã

A origem pagã tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo "dar culto aos mortos" (o destaque é meu). A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 A.C.) acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. Em fins do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo (dos Druidas), já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada sobre ela: tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, e davam ao ano novo celta. A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. A festa era celebrava com ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e "guiar" (sic) os seus familiares rumo ao outro mundo.

Origem Católica

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar "Todos os Mártires". Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV († 615) transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão), um claro "símbolo da orientação idolátrica até hoje esposa pela IC (Igreja Católica), num templo cristão e o dedicou a "Todos os Santos", a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III († 741) mudou a data para 1º de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de Todos os Santos fosse celebrada universalmente. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e "All Hallow Een" até chegar à palavra atual "Halloween".

Posto que, entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1° de novembro, ocorria a noite sagrada (hallow evening, em inglês), acredita-se que assim se deu origem ao nome atual da festa: Hallow Evening → Hallowe'en → Halloween. Rapidamente se conclui que o termo "Dia das bruxas" não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo essa uma designação apenas dos povos de língua (oficial) portuguesa.

Outra hipótese é que a Igreja Católica tenha tentado eliminar a festa pagã do Samhain, instituindo restrições na véspera do Dia de Todos os Santos. Este dia seria conhecido nos países de língua inglesa como All Hallows' Eve.

A relação da comemoração desta data com as bruxas propriamente ditas teria começado na Idade Média no seguimento das perseguições incitadas por líderes políticos e religiosos, sendo conduzidos julgamentos pela Inquisição, com o intuito de condenar os homens ou mulheres que fossem considerados curandeiros e/ou pagãos. Todos os que fossem alvo de tal suspeita eram designados por bruxos ou bruxas, com elevado sentido negativo e pejorativo, devendo ser julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé.

Essa designação se perpetuou e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses (povo de etnia e cultura celta) no século XIX, ficou assim conhecida como "dia das bruxas", uma lenda histórica.

O MOMENTO ATUAL

Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um carácter completamente distinto do que tinha ao princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos, ambas da Igreja Católica.

Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos "disfarces", muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV. Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra e a peste bubônica dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte. Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.

Alguns fiéis, dotados de um espírito mais burlesco, costumavam adornar na véspera da festa de finados as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc. (afinal, a morte não respeita ninguém). Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, à qual todos deveriam chegar. Possivelmente, a tradição de pedir um doce, sob ameaça de fazer uma travessura (trick or treat, "doce ou travessura"), teve origem na Inglaterra, no período de intensa e violenta guerra "santa" entre católicos e protestantes (1500-1700), fato que ainda hoje se observa na Irlanda e em outras micros regiões da Inglaterra.

Mais tarde, essa prática, trazida pelos primeiros colonos, foi transferida para o dia 31 de outubro, unindo a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses. Vemos, portanto, que a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições, trazidas pelos colonos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa.

A CIDADE DAS BRUXAS, SALÉM

Há três séculos, o vilarejo (hoje cidade) de Salém, Massachusetts, na colônia americana da Nova Inglaterra (EUA), foi tomado de assalto por uma onda de intolerância e de fanatismo religioso, vitimando quase vinte pessoas. Esse infeliz incidente, e a caça às feiticeiras que então se desencadeou, serviu como um alerta para que os princípios de liberdade religiosa fossem assegurados na história dos Estados Unidos.

Mister Parris, o pobre reverendo de Salem, estava exasperado. Betty, a sua única filha de apenas nove anos, acometida por uma série de estranhos espasmos, jogou-se petrificada sobre o leito, negando-se a comer. Naquela perdida cidadezinha, ao norte de Boston, não existiam muitos recursos além de um velho médico que por lá se perdera. Chamado para diagnosticar a doença, atestou para o aterrado pai que a menina estava era enfeitiçada e que nada lhes restava a fazer além de uma boa e sincera reza. A conclusão do doutor correu de boca em boca e em pouco tempo os pacatos habitantes do pequeno porto tomaram conhecimento de que Satanás resolvera coabitar com eles.

Simultaneamente outras garotas, as amiguinhas de Betty, começaram a apresentar sintomas semelhantes aos da filha do clérigo. Rolavam pelo chão, imprecavam, salivavam, grunhiam e latiam. Foi um pandemônio. Pressionado a tomar medidas, Parris resolveu chamar um exorcista, um caçador de feiticeiras, que prontamente começou sua investigação.

No século XVII, poucos punham em dúvida a existência de bruxas ou de feiticeiras porque uma das máximas daqueles tempos é de que "é uma política do Diabo persuadir-nos que não há nenhum Diabo".

Inquiridas por Cotton Mather, que iria se revelar uma espécie de Torquermada americano, as garotas contaram que o que havia desencadeado aquela desordem toda fora uns rituais de vodu que elas viram Tituba fazer. Essa era uma escrava negra que viera das Índias Ocidentais, e que iniciara algumas delas no conhecimento da magia negra (dizem). Durante o último longo inverno da Nova Inglaterra, ela apresentara várias vezes os feitiços para uma platéia de garotas impressionáveis. Educadas no estreito moralismo calvinista e no ódio ao sexo que o puritanismo devota, aquele cerimonial animista deve ter despertado as fantasias eróticas nelas. Provavelmente culpadas por terem cedido à libido ou apavoradas por sonhos (na verdade, pesadelos) eróticos, as garotas entraram em choque histérico. Seja como for o caso, merecia ser ouvido num tribunal. Toda a Salem se fez então presente no salão comunitário.

O tribunal

Quando colocadas num tribunal especial, presidido pelo juiz S. Sewall, e inquiridas pelos juízes Corwin e Hathorne, as meninas começaram a apontar indistintamente para várias pessoas que estavam na sala apenas como curiosas. O depoimento mais sensacional foi o da escrava Tituba, que não só confessou suas estranhas práticas como afirmou que várias outras pessoas da comunidade também o faziam.

A partir daquele momento, a cidadezinha que já estava sob forte tensão se transformou. Um comportamento obsessivo tomou conta dos moradores. Uma onda de acusações devastou o lugarejo. Vizinhos se denunciavam, maridos suspeitavam das suas mulheres e vice-versa, amigos de longa data viravam inimigos. Praticamente ninguém escapou de passar por suspeito, de ser um possível agente do demônio. Não demorou para que mais de 300 pessoas fossem acusadas de práticas infames. O tribunal que entrou em função em junho de 1692 somente parou em outubro. Resultou que dezenove pessoas foram enforcadas. As principais testemunhas de acusação — que se diziam sob influência de bruxaria — foram Ann Putnam, Jr., Elizabeth "Betty" Parris, Maria Walcott e Abigail Williams.

Dai em diante, o imaginário popular se encarregou de propagar as "ditas práticas macabras" das "bruxas de salém". Segundo o censo de 2000, a cidade tinha uma população total de 40 407 habitantes. Juntamente com Lawrence, forma a sede do Condado de Essex. O nome da cidade está relacionado à palavra árabe Salam, que significa 'paz'.


OS SÍMBOLOS E A MENSAGEM DO DIA DAS BRUXAS

O Halloween possui diversos símbolos, como por exemplo, a abóbora cortada em forma de rosto, o bordão “gostosura ou travessura”, a vassoura da bruxa, entre outros.
Fiz uma lista destes símbolos e seus significados para você se inteirar dos principais.

"Gostosura ou Travessura": No inglês, Trick or Treat, elementos que compõe o tradicional Dia das Bruxas. Muito pouco comum por aqui, porém a cada dia ganha mais força, é como se fosse o São Cosme e Damião dos Ingleses e Americanos. Crianças fantasiadas de bruxas, fantasmas, monstros, vampiros, etc, vão as casas falando o bordão, e ai de quem não der doces para criançada.

"Jack-o-lantern": A tradicionalíssima abóbora que é esculpida dando o formato de um rosto com olhos, boca e nariz, normalmente com a intenção de ficar apavorante, mas poucos conseguem este efeito. Também é encontrada nos mais variados formatos, dependendo da criatividade do artista. Fazendo parte do folclore irlandês, diz a lenda que um homem que fazia brincadeiras satânicas e era muito trapaceiro, cujo nome era Jack, enganou o Diabo e o prendeu em uma árvore. O Jack só soltou o Diabo depois de um acordo em que o Demônio jurou nunca incomodar o Jack (como se Satanás honrasse compromisso). Com o tempo, Jack morreu, porém não foi aceito no céu, pois tinha acordo com o Diabo, e também não conseguiu entrar no inferno, pois o Demônio tinha medo de ser enganado novamente. Então para iluminar o seu caminho na escuridão (porque não tinha Jesus, a "luz da Vida"), Jack ganhou uma vela, e para fazê-la durar para sempre, a colocou acesa dentro de um nabo com furos para dar passagem a claridade. Chegando aos Estados Unidos os imigrantes substituiriam os nabos pelas abóboras. Desta maneira a abóbora é hoje o maior símbolo do Dia das Bruxas. Jack-o-lantern é também usado em forma de agradecimento pela boa colheita.

"Vela": Muito usada no Dia das Bruxas nas cores roxa, preta e laranja, indicam os caminhos para os "espíritos" de outro plano astral.

"Vassoura": Capaz de limpar os ambientes das energias negativas, é o símbolo do poder feminino. Uma vassoura de Halloween não pode ser tocada, muito menos usada para varrer o chão, ela só é usada para varrer as más energias.

"Máscaras": Simbolizam os espíritos, os enviados de outros planos espirituais.

"Chapéus pontudos": Símbolo de hierarquia sacerdotal entre as bruxas.

"Monstros": “Simbolizam as transformações. É uma forma de colocar para fora tudo aquilo que não serve mais, de tirar de dentro de si tudo aquilo que está velho. E então abrir lugar para o novo” (boa propaganda, não??).

"Coroa e bastão": Também muito usadas por reis, é o símbolo maior de realeza, indicam a autoridade e comando, um nível cósmico elevado (discurso da New Age).

"Varinha Mágica": Instrumento usado para direcionar as energias; com a varinha, os bruxos e bruxas invocam deuses, fazem magias e penetram em outros planos astrais.

"Caldeirão": “É dentro dele que as coisas se transformam: o grão torna-se alimento, a raiz vira remédio, o desejo acontece, e o sonho vira realidade”. “Representa a essência da fertilidade”.

Sem nenhum segredo, a mensagem é diabólica, induz ao ocultismo e tenta tornar "comum, natural", ao que Deus condenou.

Prof Damasceno

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Artista cria "Jesus sarado" para aproximar jovens da religião

A paz do Senhor a todos. Queridos, após (mais uma) ausência prolongada desse ambiente onde sempre (ou melhor, quando o tempo permite) expresso minhas opiniões e pontos de vista, estou de volta. Por quê? Porque fazendo agora de manhã o meu tour virtual obrigatório nos sites de informações, me deparei com a matéria que vem logo a seguir e vivi um misto de sorrisos quase que descontrolados, com um sentimento de "o que eles vão inventar ainda?". Na imagem ao lado, o braço de Cristo e de um viciado em drogas é um só. "É uma forma de explicar que Jesus vive dentro de você", afirma o autor, Stephen Sawyer

Ei-la na íntegra, a seguir:

"Jesus Cristo, herói do século 21. A reinvenção de quem, para os cristãos, é o filho de Deus gerou um fenômeno artístico nos Estados Unidos.

Com peitoral marcado, braços musculosos e atitude de vencedor, o Cristo chegou inclusive à capa do jornal The New York Times. "Um Chuck Norris de sandálias", assim definiu-o a publicação.

O autor dos desenhos, o artista Stephen Sawyer, 58, criou o projeto Art4God para tentar aproximar os jovens da religião. "Todos somos evangelistas de alguma coisa", disse Sawyer à BBC. "Sou o pregador do homem que viveu há 2 mil anos e continua sendo meu herói."

O artista sustenta que a imagem de Jesus masculino e forte vem da Bíblia. "Dificilmente poderiam ter narrado cenas como o ataque de Jesus aos mercadores do templo se o protagonista da história fosse um fracote", defende Sawyer. "Era um carpinteiro da classe trabalhadora. Com certeza o seu corpo era forte e musculoso, porque essa era a sua ferramenta de trabalho."

Através de livros, revistas e blogs, o desenhista, que vive em Kentucky, tem viajado os Estados Unidos alimentando o seu movimento. Apesar do sucesso, as imagens foram questionadas por grupos de conservadores, para quem destacar o físico de Jesus relega o seu aspecto espiritual. "Fico feliz que se crie um movimento em torno disto. A ideia é deixar de lado nossos prejuízos e aceitar as crenças de todos a partir da tolerância", responde o autor. "Não sei como Cristo era visto há 2 mil anos, nem me importa. Quero criar uma iconografia que seja relevante para hoje."

QUE MAL HÁ NISSO?

Não quero fazer "chover no molhado", mas no discurso do artista, ele próprio se define como:

1 - Evangelista (Todos somos evangelistas de alguma coisa);
2 - Pregador (...do homem que viveu há dois mil anos).

Estamos vivendo um momento onde a cultura de massa está "elegendo" seus estereótipos com base em ícones. Do passado e do presente. Que mal há nisso? Grosso modo, aparentemente, pelo senso comum, nenhum. Mas quando observamos QUEM essa cultura de massa está iconografando, QUEM ela está imitando, QUE valores ela está agregando ao seu portifólio, ISSO nos preocupa, pois estamos correndo o risco de ver alguém "comprar gato por lebre". Senão, vejamos, apenas analisando rapidamente o texto em destaque acima.

A) A reinvenção de quem, para os cristãos, é o filho de Deus gerou um fenômeno artístico nos Estados Unidos

"Reinventar o filho de Deus" soa como discurso vaidoso, culturamente. Implica em dizer (na visão da dita cultura), que o modelo de Filho de Deus que temos de Jesus é ultrapassado, não tem dado resultado, é cafona, não surtiu efeito e é, historicamente, um modelo de derrota, de fracasso.

Esse discurso é contraditório e vai de encontro ao discurso cristão exarado na Palavra de Deus, bem como tenta descaracterizar todo o trabalho prestado até aqui pelos apóstolos originais (os 12), e pelos seguidores e replicadores desso modo de vida (inclusive Paulo), ao longo da história;

B) Com peitoral marcado, braços musculosos e atitude de vencedor

Então a missão do Jesus não foi cumprida? Ele é derrotado, fracassado? De jeito nenhum. O Cristo bíblico, em sua missão, foi vitorioso. Cumpriu o script que já estava na conjuntura do projeto divino antes que o mundo existisse, que fora traçado pela Trindade ainda na eternidade passada (a linha atemporal antes da criação do universo e de todas as coisas, inclusive a Terra).

C) "Não sei como Cristo era visto há 2 mil anos, nem me importa. Quero criar uma iconografia que seja relevante para hoje."

Ele não se importa como Cristo era visto há 2 mil anos? Isso deve importar sim, porque embora estejamos em pleno século XXI, as bases de nosso relacionamento com Deus foram estabelecidas naquele contexto de início do século I d.C., exatamente pelo sacrifício realizado por esse Cristo com o qual o artista "nem se importa". E toda nossa história como igreja cristã só tem importância porque, exatamente, NOS IMPORTAMOS com o legado que Cristo nos outorgou, e cuja personalidade é IMPORTANTE para nós. E muito.

Estamos de olho nesses pontos de vistas, expressos por "celebridades" e "artistas" da cultura do entretenimento, geralmente expressos sem levar em conta uma série de contextos, como o histórico, religioso e social, tanto da época em que Jesus palmilhou a terra, como em nossa contemporaneidade.

Prof Damasceno

quinta-feira, 31 de março de 2011

RECORDAR É VIVER: O CULTO AO CORPO OU A MITIFICAÇÃO DA BELEZA


A paz do Senhor a todos!

A partir desse momento, sempre que possível, vou compartilhar com meus leitores meus artigos que escrevi nos últimos 10 anos. A seguir, um artigo escrito em 24/11/2006, assim que a ocorreu a morte da modelo Ana Carolina Reston Macan, de 21 anos, que faleceu dia 14 de novembro de 2006 de anorexia nervosa. O assunto foi para a mídia e, na época, eu era diretor uiversitário e a comunidade acadêmica, formada majoritariamente por jovens, ficou aguardando uma posição nossa sobre o ocorrido. O título do artigo foi:

O CULTO AO CORPO OU A MITIFICAÇÃO DA BELEZA. Ei-lo abaixo:

Parece até deja wu. Sempre que alguma figurinha importante do meio artístico (moda, música, cinema, etc.) sofre complicações de saúde ou morre em decorrência da busca pelo modelo estético pessoal ideal, lá vamos nós, educadores, psicólogos, analistas de plantão e populares emitir nossa opinião sobre o assunto. Blá blá blá pra cá, blá blá blá pra lá, mas fica sempre uma pulguinha atrás da orelha: por que as pessoas são tão repetitivas?? Por que os exemplos (maus, evidente) que a Mídia dilacera para a opinião pública não são levados a sério por modelos, artistas em geral e adoradores do culto ao corpo?


Senão, vejamos, só para exemplificar dois casos tupiniquins: na manhã de 9 de outubro de 1996, a modelo e atriz Cláudia Liz deu entrada na Clínica Santé, em São Paulo, para se submeter a uma lipoaspiração. Horas mais tarde, ela foi levada às pressas para o Hospital Albert Einstein em coma. O Brasil todo acompanhou o que aconteceu pela TV e pelos Jornais, da internação à alta. O diagnóstico, nas palavras da própria modelo: “...foi um broncoespasmo... Esse broncoespasmo me deu um edema cerebral, entrei em coma em grau oito [a escala vai até dez], pois quando cheguei no Einstein estava em convulsão. Na clínica, de onde o Celso me tirou por volta das 18h, eles me sedaram porque se não fizessem isso minha cabeça iria "explodir". O edema foi aumentando. Tive falta de oxigenação no cérebro... Na época em que fui fazer a "lipo" era para ficar como estou agora. A vida me tirou esses quilos. Eu já fui anoréxica, sem saber que era. Tem um monte de modelo que é doente e não sabe. Sempre tive uma alimentação completamente errada.”[1].

Depois ela confessou que tudo aquilo aconteceu porque ela foi extremamente vaidosa e havia, digamos, uma “pressão” por parte de algumas agências que a estariam sondando para alguns trabalhos (desfiles, books, etc.).

Vou citar apenas esse caso, ocorrido em 1996, para contrapor com um recente, que foi a morte da modelo Ana Carolina Reston Macan, de 21 anos, que morreu dia 14 de novembro de anorexia nervosa[2], depois que seu quadro se agravou e evoluiu para uma infecção generalizada. Carolina tinha cerca de 40 quilos e 1,74 m de altura e foi internada dia 25 de outubro com insuficiência renal. Ela foi enterrada no cemitério de Pirapora do Bom Jesus, na grande São Paulo.

Por que a busca pela beleza tem ceifado tantas vidas e causado sérios problemas em muitos artistas, aqui e no resto do mundo? Será que a felicidade está associada a um belo e escultural corpo, formas perfeitas? Por que a beleza é tão explorada neste início de século XXI? Por que a perfeição estética é tão necessária e cobrada pela mídia?

Bem, dentro do escopo da Filosofia, a estética é a disciplina que se ocupa com a investigação racional do belo e com a análise dos sentimentos por ele provocados.

Na medida em que a arte começou a ser entendida como canal de expressão da beleza e do belo, também passou a ser alvo das reflexões estéticas. Dessa maneira, o belo, a arte, as emoções estéticas, os sentimentos e os juízos estéticos são temas presentes nas discussões e especulações da área da filosofia denominada estética.

No dualismo de Platão, ele desnuda-nos duas situações extremamente opostas: diz que esse mundo sensível, de nossas experiências terrenas, esse mundo físico, essa “prisão”, não concentra em si mesmo a realidade última, verdadeira... Para ele, a verdadeira essência das coisas, dos nossos conceitos, do ser cognoscente das pessoas, de nossos sonhos, desejos e ambições residem num plano superior de nossa existência, o “Mundo Ideal”, ou “Mundo das Idéias”. Assim, esse conceito de beleza que nossa sociedade tanto enaltece, busca, exige e defende como sendo “o caminho para o sucesso imediato”, para a mídia, tv, mundo fashion etc, não teria nenhum valor para Platão, posto que tudo isso é efêmero, perecível... Para ele, o que nós devemos buscar e conservar são os sentimentos mais íntimos, da verdadeira essência do belo, da beleza.... Então o belo é o bem, é a verdade, é a perfeição; existe em si mesma, apartada do mundo sensível, residindo, portanto, no mundo das idéias.

Em O Banquete, Platão define o amor como sendo a junção de duas partes que se completam, constituindo um ser andrógino que, em seu caminhar giratório, perpetua a existência humana. Esse ser, que só existe no mundo das idéias platônico, confere à sua natureza forma e uma espécie peculiar de beleza: a beleza da completude, do todo indissociável, e não de uma beleza que simplesmente imita a natureza.

Assim, temos em Platão uma concepção de belo que se afasta da interferência e da participação do juízo humano, ou seja, o homem tem uma atuação passiva no que concerne ao conceito de belo: não está sob sua responsabilidade o julgamento do que é ou não belo.

Mas não é o que acontece, parafraseando o mestre Platão, nesse nosso “mundo sensível”, das emoções, da vida ir(real) que nós vivemos no dia-a-dia, em nossas rotinas, com nossos problemas e elucrubações físicas e metafísicas, vez por outra... Não... Aqui, é a lei do mais forte ou do mais belo... Mas quem dita essas regras? Quem está no controle de nossas vidas ao ponto de não termos mais amor próprio?

Uma das responsáveis por tudo isso é a própria mídia, que superexpõe e enaltece o estereótipo das supermodelos, faz super cobertura nos fashionweeks, leva os atores e atrizes para as capas das revistas semanais (de fofocas) mais conhecidas do país, mostra a todo momento, nos comerciais brazucas e enlatados (aqueles produzidos nos EUA tipo exportação) feitos sob medida para os países em sub, ops, digo em desenvolvimento, os corpos de modelos e atores supersarados, ao custo de dias e noites (e mais algumas substâncias proibidas por lei - bombas) em academias “especialializadas”, que se multiplicam como enxame de abelhas por todo o país, especialmente nos grandes centros de diversão do país.

Tem culpa também as “agências de modelos”, que praticamente obrigam e ditam o ritmo das vidas de seus contratados e contratadas, impondo-lhes o fardo de permanecer com um “peso ideal”, exigidos por contratos milionários, onde a “imagem perfeita” vende roupas para as altas e mais produtivas estações de moda. Isso sem falar que um belo corpo é garantia de trabalho e “moeda de troca” indispensável para alguns e barganha íntima com proprietários de agências, barganha essa que “pode garantir o sustento da família”, mesmo que pra isso se abra mão da dignidade do corpo, que passa a ser usado como objeto de uso sexual por quem “pagar mais”, quem “oferecer um trabalho”, quem “abrir a oportunidade para um book” etc.

Essa via crucis atinge tanto a homens, como mulheres, no meio artístico em geral. A Anorexia nervosa que ataca as mulheres, também ataca os homens, geralmente modelos que desejam migrar para o meio artístico televisivo: os talkshows, programas de auditórios e as famigeradas “novelas”, o palco ideal para a exposição do “corpo perfeito”, das “belas formas”, que rende, além da superexposição, contratos milionários com as grandes marcas de cerveja, de calçados, de alimentos e etc.


Nos homens, esse exagero perfeccionista corporal é denominado de vigorexia[3], e está associada à busca pela perfeição corporal.

O Dr. José Rui Bianchi, médico psiquiatra e autor do livro “Emagrecer também é Marketing” – DVS Editor, diz que “a insatisfação consigo mesmo demonstra a falta de auto-estima, principalmente com a imagem corporal. O fato da pessoa não se ver bonita é mais mental do que a própria realidade. Quando a pessoa se gosta, suas células do rosto (que tem a mesma origem do folheto embrionário do sistema nervoso) demonstram esse sentimento e ela se vê e se sente bonita. O rosto mostra o que a pessoa sente e isso é inconsciente. Quantas pessoas saem de casa achando-se feias e, por conseqüência, têm a sensação de que as outras pessoas estão achando a mesma coisa. Uma das maneiras de se combater a anorexia e a vigorexia é manter a auto-estima elevada, que já comentamos em outras matérias. Nos dois casos, as pessoas devem procurar ajuda profissional”.

A pesquisadora Ana Lúcia de Castro, doutora em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH/Unicamp, em Artigo publicado em Lecturas: Educación Física y Deportes em março de 1998, assim declama: “É possível entendermos a preocupação com o culto ao corpo como traço característico das sociedades contemporâneas, assim como também aspecto intimamente ligado à constituição do "moderno". Nicolau Sevcenko aponta a preocupação com a corporeidade como uma das mais importantes características da atmosfera moderna que envolvia a nascente metrópole tecnológica por ele estudada: a São Paulo dos anos vinte. Segundo este autor, sob a genérica denominação de "diversão" ou "entretenimento", há uma série de hábitos físicos, sensoriais e mentais que, embora existissem desde o começo do século na cidade de São Paulo, são incorporados sistematicamente no cotidiano de seus habitantes na segunda década do século XX.
“O antigo hábito de repousar nos fins de semana se tornou um despropósito ridículo. Todos para a rua: é lá que a ação está... Não é descansando que alguém se prepara para a semana vindoura, é recarregando as energias, tonificando os nervos, exercitando os músculos, estimulando os sentidos, excitando o espírito...(Esses hábitos) são arduamente exercitados, concentradamente no fim de semana, mas a rigor incorporados em doses metódicas como práticas indispensáveis da rotina cotidiana.”[4]

Continuando, a Dra. Ana Lúcia apregoa que “...a explosão publicitária no pós-guerra, por sua vez, foi, sem dúvida, grande responsável pela difusão de hábitos relativos aos cuidados com o corpo e às práticas de higiene, beleza e esportivas, preconizadas por médicos e moralistas burgueses desde o início do século. O desenvolvimento do cinema e da televisão, com sua rede de "olimpianos” [5], muito contribuiu para os profissionais dos cuidados com o corpo venderem suas imagens e seus produtos. Mas é importante ressaltar a mudança de comportamento que se impunha nesse momento. Ao colocarem suas imagens (estrelas de cinema com sorriso branco e cabelos brilhantes anunciando creme dental e xampu), esses profissionais colocavam em jogo novas práticas, difundiam uma nova maneira de lidar com o próprio corpo e um novo conceito de higiene, a tal ponto que, como afirma Prost, "os comerciantes contribuíram mais do que os higienistas para difundir os novos hábitos do corpo”[6].

Sob os anos sessenta, ela entende que “... são palco da difusão da pílula anticoncepcional, da chamada "revolução sexual" e do movimento feminista, elementos que, associados à contracultura e ao "hippismo" contribuirão para a colocação da corporeidade como importante dimensão no contexto de contestação que marca a década. O corpo é colocado em cena pela contracultura como lócus da transgressão, do delírio e do "transe", através das experiências da droga e do sexo”.

Os anos oitenta podem ser entendidos como um marco importante para a temática, na medida em que nessa década a corporeidade ganhou vulto nunca antes alcançado, em termos de visibilidade e espaço no interior da vida social, pois se no período anterior os cuidados com o corpo visavam a sua exposição durante o verão, a partir da década de oitenta as práticas físicas passam a ser mais regulares e cotidianas, expressando-se na proliferação das academias de ginástica por todos os centros urbanos. Paralelamente a esse processo temos o advento da chamada "Geração Saúde", a partir dos anos oitenta, representativa de certa postura frente à vida que, de certa forma em oposição ao padrão de comportamento representativo da geração de seus pais, levantam a bandeira anti-drogas, com destaque para o tabagismo e o alcoolismo, ao lado da defesa da ecologia, do naturalismo e do chamado "sexo seguro" - fenômeno também fortemente relacionado ao advento da AIDS - que em alguns casos significa a revalorização da virgindade feminina, não mais até o casamento, mas até a certeza de que o primeiro relacionamento sexual signifique o envolvimento afetivo prolongado com o parceiro.

Mas o que teria levado as sociedades contemporâneas a intensificar a preocupação com o corpo e colocá-la como um dos elementos centrais na vida das pessoas? É possível arriscarmos algumas hipóteses. Em primeiro lugar, essa intensificação está ligada à própria história da moda, que pode ser entendida como as imagens sociais do corpo, o espelho de uma determinada época e nesse sentido é interessante lembrarmos que no Séc. XIX a camisola só podia ser usada no interior do quarto e qualquer referência a ela, em público, seria motivo de rubor. Cabelos soltos, da mesma forma, só eram permitidos no espaço privado, sendo o penteado uma exigência para o espaço da rua. Mostrar o corpo não era também muito comum, as pessoas decentes andavam de luvas e chapéus, mostrando apenas o rosto, com exceção dos trajes de noite femininos, que apresentavam grandes decotes. Gradualmente, a flexibilidade no vestuário vai ganhando espaço frente à rigidez. Os homens passam a usar colarinhos mais flexíveis e chapéus de feltro moles no lugar dos colarinhos duros e chapéus rígidos, enquanto as mulheres vão abandonado os corpetes e as cintas, que cedem lugar à calcinhas e sutiãs. As saias vão se encurtando, as meias valorizam as pernas e os tecidos pesados vão sendo substituídos por mais macios que salientam as curvas do corpo.”[7]

Hoje, em pleno século XXI, podemos afirmar que o cinema de Hollywood ajudou a criar novos padrões de aparência e apresentação físicas, levando a um público massivo a importância do "looking good". Hollywood difundiu novos valores da cultura de consumo e projetou imagens de estilos de vida glamourosos para o mundo inteiro. As estrelas de cinema ajudaram a conformar um ideal de perfeição física, introduzindo novos tipos de maquiagem, cuidados com cabelos, técnicas para corrigir imperfeições.

A observação do Programa Malhação nos permite afirmar que seu formato recupera e atualiza matrizes genéricas, trabalhando temas do universo adolescente. Tendo como formato básico episódios semanais, compostos por 5 capítulos de 30 minutos, esta espécie de "mini-novela" vai ao ar de segunda a sexta, às 17:30, tendo a clara intenção - através do elenco e das temáticas - de captar o segmento jovem. O Elenco é mais ou menos fixo: os freqüentadores da academia e funcionários (médica, recepcionista, professores), sendo que em cada episódio são convidados dois ou três atores que entram temporariamente na trama.

Embora tenha algumas características da "Soap Opera" americana, como o tempo em que está no ar (dez anos) e o elenco mais ou menos fixo, não podemos definir Malhação como uma clássica "Soap Ópera", pois esta tem a característica de cada capítulo encerrar-se em si mesmo," (Allen, 1985) o que não ocorre em Malhação, que exige do expectador um acompanhamento diário para que não se perca no encadeamento da narrativa.

As histórias giram em torno do universo adolescente, tematizando a virgindade, a sexualidade, os prós e os contras na decisão em se casar. Na maior parte do tempo a cena se desenrola no interior da Academia, e são diversos os espaços existentes, mostrando que tudo pode ser feito sem necessitar sair de lá: sauna, cantina para lanche, restaurante de comida japonesa, locadora de vídeo, lojas de roupas e acessórios, ambulatório; mas boa parte dos diálogos ocorrem sobre aparelhos de ginástica e no vestiário, espaço no qual as meninas podem trocar segredos íntimos sem o risco de algum garoto ouvir, pois os vestiários são separados por sexo. É curioso notarmos que quando a câmera sai do interior da Academia, vai para ambientes em que corpos estão em evidência, como a praia, por exemplo, e, embora mude o cenário, continuam predominando, em termos de imagens, coxas, torsos, umbigos e bumbuns perfeitamente esculpidos, entre as cores vivas dos biquínis e maiôs.

É curioso observarmos que este momento em que o culto ao corpo ganha espaço no interior da vida social é, coincidentemente, próximo do apontado como o ponto de inflexão das sociedades capitalistas ocidentais, que passariam a ter uma nova configuração. Se a modernidade entra numa nova etapa e ganha contornos diferenciados, o mesmo ocorre ao culto ao corpo, ou à relação dos indivíduos com seus corpos, pois se o desenvolvimento técnico tem tido grande influência sobre a vida social nessa etapa contemporânea da era moderna, o mesmo pode ser dito com relação à corporeidade. A técnica tem impactado em muito a relação dos indivíduos com seus corpos na sociedade contemporânea. A possibilidade de esculpir-se ou de se desenhar seu próprio corpo se coloca como algo que propicia a cada um estar o mais próximo possível de um padrão de beleza que é estabelecido globalmente; afinal as medidas do mercado da moda são internacionais.

É, então, o momento, de darmos um break e analisarmos tudo que temos visto. De um lado, a necessidade de trabalho, de estabelecer um status quo, de manutenção das famílias, dependentes na quase totalidade dos “contratos” que os filhos estabelecerão com agências de modelos, produções de novelas, grandes marcas, escolas de sambas, etc... De um outro, o amor pela vida, bem que está sendo desprezado com o consentimento, com raríssimas exceções, dos pais, mesmo que inconscientes e daqueles que dominam o setor empresarial desse filão no país e no mundo.

O que nós queremos para nossos filhos e filhas?

Umas das autoridades mais conceituadas na área, O médico brasileiro Ivo Pitanguy, “guru” da cirurgia plástica mundial, considera “exagerado” o atual culto ao corpo, estimando que é mais importante “o culto à inteligência”. “Esta exagerada atenção ao corpo não é culpa da cirurgia plástica, mas do marketing que vende a imagem da juventude, da beleza”, acrescentou Pitanguy em Madri, onde participava de um congresso de patologia mamária.

Pitanguy, 80 anos, fez em 51 anos de carreira mais de 60 mil operações de cirurgia plástica em sua luxuosa clínica do Rio de Janeiro, algumas delas em celebridades como Sofia Loren e Elizabeth Taylor, além de ter formado em sua maneira de operar mais de 400 cirurgiães em todo o mundo.

“A cirurgia estética é para se sentir bem com você mesmo, não para os outros”, acrescentou.
Grande especialista em “lifting” facial feminino, Pitanguy destacou o número crescente de homens que se operam, principalmente para tirar as bolsas sob os olhos e reduzir os “pneus” na cintura.

Ele mesmo nunca se submeteu a uma intervenção de cirurgia plástica, pois afirma que tem medo dos médicos e de ser operado.

A Espanha, onde quase 300.000 pessoas se submetem todos os anos a uma operação de cirurgia plástica, está no primeiro plano europeu neste setor.

Concluindo, deixo as palavras do filósofo francês Gilles Lipovestsky, em recente entrevista à Silvia Rogar, da revista Veja. Segundo ele, "Estar na moda, não se restringe ao vestuário apenas, rege outras esferas da vida como o culto ao corpo, o consumo e o bem-estar". Isto é interagir socialmente de uma maneira participativa e extremamente benéfica numa época de globalização.

Entretanto, diz ele, tem que haver uma certa dose para este novo conceito social frente ao belo. Se a visão for muito micro, a ótica de tais preocupações poderá gerar um aumento da ansiedade, angústia e depressão. Isto quer dizer o seguinte: há atualmente, incontestavelmente, o culto ao corpo e à saúde, mas a dose para tal preocupação precisa de um certo equilíbrio para que a vida não gire apenas em torno desta temática e se torne uma obsessão com tendências patológicas.

É aqui que afloram a anorexia e a vigorexia. Vigiemos, pois ...

NOTAS:

[1] Cláudia Liz, em entrevista à Revista MARIE CLAIRE, setembro de 2000.

[2] Transtorno alimentar no qual a busca incansável por magreza leva a pessoa a recorrer a estratégias mirabolantes e perigosas para perder peso, ocasionando emagrecimento compulsório e prejudicial à saúde. As pessoas anorexas apresentam um medo mórbido de engordar, mesmo estando extremamente magras. Em 90% dos casos, acomete mulheres adolescentes e adultas jovens, na faixa de 12 à 22 anos. É uma doença com riscos clínicos, podendo levar à morte por desnutrição.

[3] Síndrome do corpo perfeito, em que o homem nunca está satisfeito com sua imagem. É um transtorno psiquiátrico do culto ao corpo. Mesmo que o homem esteja musculoso, se vê miúdo e fraco.

[4] SEVCENKO, N. Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20, p. 33


[5] Os "olimpianos" são definidos por Edgar Morin como os seres transformados em "sobre-humanos" pela cultura de massa. São os astros e estrelas de cinema, os campeões esportivos, governantes, pintores e literatos célebres. A imprensa seria responsável por "revesti-los de um caráter mitológico" e, por outro lado, por buscar "mergulhar em suas vidas privadas a fim de extrair delas a substância humana que permite a identificação."

[6] PROST, A. "Fronteiras e Espaços do privado". IN: ARIÉS, P. & DUBY, G. História da Vida Privada, vol 5, p. 98.

[7] __________Ibdem.

Bibliografia

PAREYSON, L. Os problemas da estética. 3ª ed. Trad. Maria Helena Nery Garcez. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
ALLEN, R. (1985) Speaking of Soap Opera. North Carolina, University of North Carolina.
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SHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade de Representação. São Paulo: Editora Contraponto, 2001.
MORIN, E. (1987) Cultura de massa no século XX: o espírito do tempo. vol 1, Rio de Janeiro, Forense Universitária.
ORTIZ, R. (1993) "Cultura e mega-sociedade mundial". In: Lua Nova - Estado, reforma e desenvolvimento, nº 28/29. São Paulo, Marco Zero/CEDEC.
_________________ (1991) Cultura e modernidade. São Paulo, Brasiliense.
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REVISTA VEJA. A vitória sobre o espelho. Agosto de 1995.
SEVCENKO, N. (1992) Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20. São Paulo, Cia das Letras.
VINCENT, G. (1992) "O corpo e o enigma sexual". IN: ARIES, P. & DUBY, G. História da Vida Privada, vol. 5. São Paulo, Cia das Letras.
WILLIAMS, R. (1975) Television: technology and cultural form. New York, Schocken Books.

Prof Damasceno

24/11/2006

quarta-feira, 30 de março de 2011

TÓPICOS DE FILOSOFIA: O QUE PENSAM OS FILÓSOFOS?


A paz do Senhor a todos! Abaixo, mais um artigo da série "Tópicos de filosofia". Deliciem-se.

O QUE PENSAM OS FILÓSOFOS?

Não raro, o senso comum afirma que todo filósofo não é bem certo do juízo. Um filósofo responderia, possivelmente, com uma pergunta do tipo: “o que é algo certo?”

Uma tarde dessas estava conversando com um amigo sobre a dificuldade das ciências que fabricam coisas responderem a perguntas sobre coisas simples como o que é certo ou errado, bom ou ruim. Uma ciência particular nunca poderá dizer o que é melhor ou pior. Diz o que é maior, mais eficiente, mais pesado… quer dizer, se prende àquelas coisas que são mensuráveis.

A beleza, a felicidade humana, a ética, a reflexão, a alma e Deus não podem ser medidos porque não são coisas. Não são coisas, mas são a base para que façamos boas escolhas, até quando tivermos que escolher coisas.

Talvez, a grande dificuldade do senso comum com a filosofia tenha a ver com a necessidade de respostas. Em um mundo onde tudo é imediato, on-line, as pessoas gostam de soluções e esperam também da filosofia, que muitas vezes desconhecem, respostas prontas, tipo fast food. Nisso a filosofia ajudará pouco. É possível que o desconhecimento do que é filosofia e do quanto pode mudar a vida das pessoas, nesse caso dos filósofos, seja a causa da opinião do senso comum a que nos referimos anteriormente.

A filosofia é, de alguma forma, uma ciência que nos permite fazer escolhas mais acertadas sobre a nossa vida e sobre o mundo em que vivemos, nos ensinando a levantar as questões que podem ser realmente interessantes.

Platão, um dos filósofos mais conhecidos, tentou mostrar o quanto a filosofia pode mudar a forma de ver o mundo de uma pessoa. Fez isso na sua conhecida Alegoria da Caverna (ou Mito da Caverna).

Pode-se dizer que, de modo geral, o filósofo não vê no mundo somente aquilo que é percebido pela sensação, pelos nossos sentidos. Os sentidos são a nossa porta de entrada para o conhecimento do mundo que nos rodeia. Assim, observamos o mundo pelos sentidos e dizemos que isso ou aquilo é ou existe. Muitas vezes, ingenuamente, encaramos as coisas simplesmente como elas ‘tocam os nossos sentidos’ (Kant) e achamos que as coisas e a realidade são apenas isso. O filósofo não se contenta com o conhecimento que conseguimos com os sentidos. Então, como ele internaliza isso? Simples!

Ele olha para além do que é percebido pelos sentidos.

As coisas do mundo sensível (do chamado mundo empírico) mudam e, portanto, as afirmações que fazemos sobre ele são também passageiras. Uma árvore se modifica muito de um mês para outro... como podemos dizer que se trata da mesma árvore antes e depois, se ela se modificou?

Ora, aquilo que muda deixa de ser. O nosso conhecimento sobre as coisas é um conhecimento muito relativo, temporal e, por isso mesmo, limitado, similar a algumas teorias que surgem sobre vários assuntos desconhecidos, procurando explicá-los, sem que seus “pesquisadores” tenham a menor experiência (anterior) com ele.

Por isso, fiquei surpreso com o Pr Ricardo Gondim, quando verbalizou que Deus tinha "se mandado" de nossas vidas, que não estava mais ai pra nada (como no caso do tsunami no Japão, fato que ele atrelou a essa "desistência", a esse "abandono" divino do ser humano, deixando-o ao prazer da "sorte").

O filósofo procura, enfim, aquilo que permanece inalterável, imutável, mesmo com as mudanças das aparências das coisas com o tempo. E o faz para permanecer na busca constante da verdade, para que suas atitudes (e as conseqüências) sejam as menos dolorosas possíveis.

Lago da Pedra, MA., 29 de março de 2011.

terça-feira, 29 de março de 2011

TÓPICOS DE FILOSOFIA: A CIÊNCIA, O CONHECIMENTO, O TEMPO E DEUS


Amados, a Paz do Senhor!

Continuando esta série sobre Filosofia, abaixo mais um artigo, trazendo à lume o conceito de ciência, perpassando pelo conhecimento, o tempo e finalizando com Deus, numa interligação dialética.

A CIÊNCIA, O CONHECIMENTO, O TEMPO E DEUS

As chamadas ciências modernas são uma aventura relativamente nova da razão e, antes de existirem, a palavra ciência já era conhecida e utilizada para designar muito mais que conhecimentos técnicos sobre a natureza. Ciência já teve um sentido muito mais vasto, significou conhecimento certo ou mesmo sabedoria.

Dependendo da época e dos autores, os tipos de conhecimentos podem variar muito, tanto em quantidade quanto em qualidade. Por exemplo, dois escritores brasileiros (PARRA FILHO e SANTOS, 1998) tentaram falar sobre os tipos de conhecimento em um livro de metodologia. No seu texto esses dois autores apontam conhecimentos como o intuitivo que vêm dos sentidos como a visão, a audição etc. Conhecimento racional que seria fruto quase que somente da razão e o conhecimento intelectual. Para esses autores essa última forma de conhecimento reúne a experiência (que eles chamam de intuição) e também a razão.

Bem, para eles o conhecimento científico é bem diferente e talvez melhor que todos esses citados.
Aquele conhecimento que todos temos no dia-a-dia das nossas vidas e que é comum nas pessoas mais idosas é denominado por Parra Filho e Santos de “[…] conhecimento vulgar […]” (p. 51).

Não creio que seja um problema dos autores citados acima, mas penso que há aqui uma dose de menosprezo já que, vulgar, entre outras coisas, pode significar algo desprezível e banal. Esse conhecimento que hoje parece desprestigiado pode ser bem aproveitado. Dissemos acima que dependendo da época e da pessoa que avalia o conhecimento, a importância de cada saber pode variar; é disso que gostaria realmente de tratar.

Um cearense, Manfredo Oliveira (1993), entende que a época em que vivemos influencia nosso pensamento muito mais do que imaginamos: o saber é determinado pela época em que é produzido. Vamos ver como é isso.

Aristóteles entendia que conhecer é algo próprio, natural do ser humano. Mas afirma, em uma de suas obras (Ética a Nicômaco) que aqueles nossos conhecimentos que produzem coisas úteis são conhecimentos de menor importância para a humanidade. Aristóteles vivia em um tempo em que a filosofia era o conhecimento mais valorizado e não se preocupava com a utilidade, como nos preocupamos hoje, no nosso tempo científico.

Muitos séculos depois de Aristóteles, já na Idade Média, Santo Agostinho entendia que o conhecimento não vem do homem, mas do Criador. Segundo Andery et al. para Agostinho, “É por meio da iluminação divina que o homem, por um processo interior, chega à verdade; não é o espírito (a mente humana), portanto, que cria a verdade, cabendo-lhe apenas descobri-la e isso se dá via Deus” (2001, p. 149).

Ou seja, para Aristóteles, que vivia na Grécia, onde a filosofia era muito importante e que não conheceu o Deus dos cristãos (com a nossa noção teológica de hoje), o conhecimento era produzido pelo homem, mas não devia se preocupar com coisas úteis e sim com as essências.

Para Agostinho, um autor cristão que viveu em uma época que valorizava a religião, o conhecimento tinha origem em Deus e até deveria, prioritariamente, se preocupar com as coisas do Criador.

Cada um dos conhecimentos tem características bem específicas. Qual o melhor deles? Bem, depende de para quem você fará a pergunta. Se fizer a pergunta para um filósofo possivelmente receberá uma resposta de que o mais importante é o conhecimento via filosofia, um cientista achará que é o científico e assim por diante. Mas e o religioso, não seria superior a todos os outros? Responder a essa pergunta sem ser corporativista é tarefa árdua, mas a essência desse artigo reside na palavra conhecimento.

Como se conhece a Deus? Primeiro, se a pessoa não internalizar a noção de que há um ser superior a este plano de existência, e que (este plano)na maioria das vezes é injusto, nos sufoca, nos explora, e às vezes nos faz cometer atrocidades e sérios desvios de conduta em prol de um “aparelhamento social”, de “convenções humanas”, é difícil admitir, por si só, sua existência (de Deus), quanto o mais conhecê-lo.

Contudo, ao longo da história, muitos homens e mulheres se dispuseram a essa aventura metafísica e lograram êxito na caminhada, partindo de três importantes momentos que, acredito, podem ser usados em nossa contemporaneidade:

a) Admitir que nosso conhecimento é limitado, mesmo nos “corredores da ciência”. Como seres humanos, somos sujeitos a falhas, inclusive na nossa maneira de apreender as coisas, de ver o objeto de ângulos que não nos permitam perceber a verdade. É bom lembrar grandes “descobertas” científicas que, quando esquadrinhadas, não resistem ao tempo. O átomo era “indivisível” na década de 80. Hoje, já é divisível.

b) Admitir que uma mente humana, limitada pelo tempo e pelo ocaso natural da vida, não pode conceber, no tempo em que vivemos aqui, todas as respostas necessárias ao nosso desejo de saber. Como diz um teórico, “...começamos a morrer no dia em que nascemos”. Assim, a vida humana é uma jornada que sabemos ter início, apogeu (se resistirmos ao tempo) e fim (natural para todos nós). Por isso é natural que uma aparente verdade “científica” desse século não resista ao século seguinte, por conta do dinamismo do conhecimento.

c) Admitir que, onde eu não consigo ver nada, outros podem se destacar. Muitas das vezes não aceitamos determinado ponto de vista porque simplesmente ele não saiu de nós, não fomos a “fonte”. Assim, conceitos como o primeiro motor – motor imóvel (Aristóteles), as cinco vias (Aquino), o discurso do método (Descartes) e a famosa frase “Je pense, donc je suis (citada frequentemente em latim como "cogito ergo sum"): o ato de duvidar como indubitável, e as evidências de "pensar" e "existir" ligadas.

A existência de Deus, em Descartes, é provada porque, existindo a razão e o pensamento, é preciso haver um fiador dessa razão e desse pensamento, algo que lhe dê coerência. Pela razão, existe Deus. Trata-se da retomada do pensamento de Aristóteles, do "noesis noeseos" (pensamento do pensamento), ou o "motor imóvel". Além disso, Descartes demonstra que as idéias de perfeito, infinito e similares, são tão transcendentes a ele, ser imperfeito e finito, que é preciso haver algo de onde essa idéia venha, que não o próprio ser pensante:

"Ensuite de quoi, faisant réflexion sur ce que je doutois, et que par conséquent mon être n'étoit pas tout parfait, car je voyois clairement que c'étoit une plus grande perfection de connoître, que de douter, je m'avisai de chercher d'où j'avois appris à penser à quelque chose de plus parfait que je n'étois; et je connus évidemment que ce devoit être de quelque nature qui fût en effet plus parfaite. (…) C'est à dire, pour m'expliquer en un mot, qui fût Dieu." (Discurso, parte 4). Tradução: ("A seguir, fazendo a reflexão sobre o fato de que eu duvido, e que por conseguinte meu ser não era absolutamente perfeito, porque eu via claramente que era perfeição maior conhecer do que duvidar, eu percebi que dessa reflexão concluía a existência de algo mais perfeito que eu era; e eu claramente percebi que essa percepção vinha de uma natureza que era de fato mais perfeita [que a minha]. (…) Para ser dito em uma palavra, que era Deus.")

Concluindo esse artigo, acredito que qualquer ser humano que palmilhe atualmente essa terra tem imperfeições e méritos e gosto de pensar que valorizar os méritos é mais producente do que apontar os defeitos, porque se todos os temos, eles se excluem na idéia de que não há ser humano perfeito. Agora, nos méritos, observe que eles não são iguais e, quando organizados, todos nós ganhamos conhecimento.

Assim, quando a ciência admite que há uma "Design Inteligente" para um universo tão organizado como o nosso e ficamos num frenesi científico/metafísico, eis que surge a Física Quântica, que estuda as órbitas dos elementos em torno do átomo e teoriza que “tudo é possível”, admitindo a existência de Deus, na pessoa de Stephen Hawk, matemático e Físico inglês, depois de formular sua teoria da criação do universo, quando cita em sua última frase no texto:

“Nada seria possível se não existisse um criador”.

Batemos o martelo? Respeitando a ciência e todos os desdobramentos possíveis (a nós, seres humanos), eu não tenho a mínima dificuldade em internalizar esses conceitos e vivê-los em profusão, sem perder o link seguro com a ciência e suas ferramentas críticas.

E você, como estudante, pesquisador, cientista ou cristão, o que pensa a respeito?

Lago da Pedra, 19 de janeiro de 2011.

Prof Damasceno

sábado, 26 de março de 2011

TÓPICOS DE FILOSOFIA: O RACIONALISMO, A FÉ E A CIÊNCIA


Queridos, a paz do Senhor a todos!

Durante muito tempo ouvi que a filosofia era, numa expressão bem pejorativa, "o cão chupando manga", "cemitério da fé", "coisa de doido, sem nexo e noção das coisas", "preponderância do mundo sobre Deus", etc. Quando me converti ao evangelho (fev 1991), iniciei um curso de Bacharelado em teologia, pela inesquecível FAETEL, Faculdade de Educação Teológica LOGOS, na época dirigida pelo Pr. Alcindo Toledo, um particular amigo. Tive aulas com Olivir Bueno Apolidoro, um ex-militar muito prático, cômico e conhecedor da Bíblia numa dimensão bastate interessante.
Mas via de regra, ouvia e presenciava as pessoas "malhando" a filosofia. Já havia estudado filosofia num seminário católico de formação vocacional, e não havia detectado que ela era esse "bicho papão". Após concluir meu bacharelado, cursei filosofia.

Me avisaram que eu iria me desviar do evangelho, além de outros impropérios. Nada disso aconteceu e, pelo contrário, os fundamentos racionais da razão corroboraram muitos aspectos profundos da minha fé, graças a Deus. Tempos depois, pelo meu labor profissional, fui diretor de uma instituição de ensino superior e imaginem qual era o curso principal dela? Filosofia! E foi essa aproximação sincera com a filosofia que fizeram ter a idéia de difundir, no momento apropriado, alguns aspectos da filosofia que muitas pessoas, por desconhecerem-na totalmente, ignoraram e até atacam. Mas e os símbolos pagãos da filosofia? E o sincretismo religioso que ela favorece, pelas muitas idéias? Tudo a seu tempo...

Mas tem Colossenses 2.8, onde Paulo ataca a filosofia. Não! Engano! Paulo fala de "filosofias", que será assunto de outra postagem. Abaixo, o artigo, que já escrevi há um bom tempo:

O RACIONALISMO, A FÉ E A CIÊNCIA

Depois das primeiras tentativas gregas de compreender o mundo e suas determinações, a Europa, o grande berço de tais iniciativas, mergulhou em uma letargia criativa. Pouco se fez durante mais de um milênio em que o feudalismo, como modo de produção e o catolicismo, como fonte de todas as determinações da realidade imperaram.

O renascimento representou um momento de substituição de valores. Houve ali o afastamento de um mundo em que o seu próprio sentido era alheio ao homem e aos seus domínios. O pensamento europeu manteve-se pasmo diante do fato de que a negação dos valores cristãos medievais não significava necessariamente a chegada de uma nova alternativa para a busca do sentido perdido do mundo. Vivia-se em um limbo, um vazio intelectual, os valores medievais não eram mais válidos e nenhuma outra fonte de verdade surgira para ocupar o vácuo que ficara.

Uma alternativa seria a recuperação dos valores cristãos e, nesse ponto, o racionalismo, sobretudo nas propostas de René Descartes, significou uma tentativa de revitalização do pensamento da Igreja que perdia crédito. Algo parecido havia sido tentado quando a síntese patrística agostiniana mostrara falhas e a Igreja deu novo vigor à sua doutrina a partir das contribuições do Padre Angélico.

As contribuições cartesianas foram aceitas, mas da sua árvore do conhecimento a modernidade não aceitaria as raízes metafísicas. Uma nova época, precisava nascer e a proposta de fundamentação do racionalismo, suas raízes figuradas na árvore cartesiana, não foram suficientes para aplacar as críticas às injustificáveis posturas inatistas que ainda tinham o pé-de-apoio na teologia cristã medieval.
Um maranhense de Carolina, Hilton Japiassú, em um interessante livro (As paixões da ciência) dá a entender que as tentativas de justificar o relacionamento com Deus falharam desde Tomás de Aquino e que, séculos depois, Descartes nada mais fizera que cumprir uma tarefa que a “Santa Sé” lhe havia confiado de renovar a sua teologia cristã.

Do pai do racionalismo foi apagada da memória posterior quase toda a teologia. O que restou foi absorvido pelo eu transcendental de Immanuel Kant, autor de uma grande síntese e possivelmente o pai de grandes avanços da razão desde a sua Crítica da Razão Pura.

Mas antes de a modernidade abraçar Kant, foi preciso ouvir os clamores do empirismo. Esse é outro importante capítulo da complicada história da ciência, que embora vez por outra se encontre com suas próprias (e naturais) limitações, não entregou os pontos.

Dando números finais a estas limitadas linhas de exercício do pensamento filosófico, gostaria de enaltecer a razão como um dos alicerces para o conhecimento, embora as vezes seja moldada pelo ceticismo exacerbado daqueles que manipulam os instrumentos de percepção e apreensão do saber, mas reconheço que a fé possui espaço na discussão, entendendo que nem sempre o caminho da razão pode ser explicado por uma equação simplista que tem sua gênese em nosso cérebro e creio que ambas, razão e fé, podem caminhar juntas, cada uma dando suas contribuições relevantes no nosso cotidiano ato de fazer ciência.

Lago da Pedra, 18 de janeiro de 2011.

quinta-feira, 24 de março de 2011

RESPOSTA AO PR RICARDO GONDIM

Amados, a paz do Senhor a todos!
 
Ausente que estive da blogosfera por um bom período, não li ainda muitas das novidades (boas e más) de dois meses para cá. Ontem, encontrei aqui na blogosfera uma resposta ao Pr Ricardo Gondim por conta de postagem no twiitter enfocando a tragédia no Japão. Li e reli a postagem e, após contactar com o proprietário do site e solicitar sua autorização para republicar a postagem (pela importância do assunto e pela felicidade do blogueiro ao comentar o assunto), estou fazendo isso agora. 
 
Tô postando na cor vermelha o texto ipsis literis
 
O pastor e teólogo Ricardo Gondim, em seu twitter, verbalizou sua inquietação sobre a tragédia do terremoto e tsunami no Japão o que causou grande polêmica por seus comentários sobre “o controle de Deus”. Em virtude disso verbalizo esse artigo.

A saber, um dos grandes problemas das pessoas é tentar desvendar o inescrutável. O fato é que muito do que Deus faz em nosso mundo é e continuará sendo inescrutável para nossa mente finita. Nunca saberemos por que algumas coisas ruins acontecem neste universo. Alguns caminhos de Deus continuarão a ser um mistério para nós. Deus afirmou:

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos”. (Is 55.8,9)

Em Romanos 11.33,34 o apóstolo Paulo registra: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?"

Uma das principais lições que tiramos do livro de Jó é que Deus nunca explicou a Jó por que Ele permitiu que coisas ruins acontecessem a ele, posto que, era homem sincero, reto, temente a Deus e desvia-se do mal (Jo 1.8). A principal lição que Jó e que nós aprendemos com Deus é que, independentemente do que aconteça — até mesmo se o sofrimento e a dor do ser humano não fizerem sentido para a pessoa —, devemos, em tudo, confiar em Deus (Jó 13.15). O patriarca aprendeu que os caminhos de Deus são inescrutáveis, mas também aprendeu a confiar totalmente em Deus, e Ele o abençoou por essa fé.

Jay Kesler registra: "Quando formos para o céu, o primeiro som que ouviremos na boca das pessoas será: 'Ahhhh... Agora eu sei! Agora eu entendo o porquê daquilo. Agora, aos meus olhos, tudo faz sentido, esse panorama de eventos que outrora fora tão misterioso'".

Chuck Swindoll, reflete: “Tudo, inclusive as tragédias e as calamidades e as angústias, a doença e a enfermidade, e o que denominamos de morte prematura, e as terríveis deformidades e defeitos de nascimento e doenças congênitas colaboram para o bem. Tudo será revelado e veremos que os planos de Deus estavam certos”.

No momento, da forma como se apresenta, não vemos toda a tapeçaria da vida. De nosso limitado ponto de vista, só podemos ver um fio da tapeçaria de cada vez. E não compreendemos como todos os distintos fios podem ser tecidos juntos. Assim como Jó nós precisamos aprender a confiar em Deus a despeito das coisas que não entendemos totalmente.

No entanto, à medida que não possamos "desvendar o inescrutável", temos de crer que Deus quer que estejamos totalmente atentos a todas as percepções que a Bíblia nos proporciona sobre essa questão. Podemos ver que a Bíblia não nos revela o suficiente sobre essa questão. Contudo, o que a Bíblia revela é significante e nos dá boas razões para confiar em Deus e em seus propósitos. Quanto mais entendermos o que as Escrituras revelam sobre esse assunto, mais nossa fé encontrará amparo para que possamos confiar em Deus, mesmo com tudo que não entendemos.

A cerca desse assunto muitos dizem que Deus não é totalmente bom, pelo fato de que coisas ruins acontecem, ou Deus é totalmente bom, mas não é o Todo-Poderoso para intervir nessas situações catastróficas ou Deus é totalmente bom e Todo-Poderoso e que o mal é apenas uma grande ilusão.

Caso Deus não afirmasse sua própria bondade, com certeza, seria mais fácil explicar a existência do mal. No entanto, Deus afirma ser bom. Se Deus tivesse poder limitado e fosse incapaz de opor-se ao mal, então seria mais fácil explicar a existência do mal. Entretanto, Deus afirma ser Todo-poderoso. Se o mal fosse apenas uma ilusão logo o problema, de fato, não existiria. Contudo, o mal não é uma ilusão, é dolorosamente real.

O amor não é apenas uma característica de Deus. Ele é a personificação do amor (1 Jo 4.8), O amor permeia seu Ser. E o amor de Deus não depende da amabilidade dos seres humanos. Deus nos ama apesar de termos caído em pecado (Jo 3.16). Deus ama o pecador, apesar de Ele odiar o pecado.

A soberania divina significa que Deus é o absoluto Regente do universo. Ele pode utilizar vários meios para alcançar seus fins, e Ele sempre está no controle. Não pode acontecer nada neste universo que esteja fora de seu desígnio. Todas as formas de existência estão no âmbito de seu absoluto domínio.

O Salmista refere-se a Deus como o Poderoso que "falou e chamou a terra desde o nascimento do sol até ao seu ocaso" (Sl 50.1). Verbaliza ainda que "Ele domina eternamente pelo seu poder" (Sl 66.7), ele assegura-nos que "o Senhor reina" e "se revestiu e cingiu de fortaleza" (Sl 93.1). Jó afirmou: "Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido" (Jo 42.2). O profeta Isaías disse por comparação, "as nações são consideradas por ele como a gota de um balde e como o pó miúdo das balanças; eis que lança
por aí as ilhas como a uma coisa pequeníssima"( Is 40.15).

Na verdade: "Todas as nações são como nada perante ele" (Is 40.17). Deus afirmou: "O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade" (Is 46.10). Deus nos assegura: "Como pensei, assim sucederá; e, como determinei, assim se efetuará" (Is 14.24). Deus é "o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores" (1 Tm 6.15).

"O coração do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" ( Pv 16.9). "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá" (Pv 19.21) "Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o Senhor" (Pv 21.30). "Atenta para a obra de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto?” (Ec7.13). "Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?" (Lm 3.37)

Deus mostrou sua soberania sobre a natureza ao dividir as águas domar Vermelho para que os filhos de Israel pudessem atravessar do Egito para o deserto e, depois, ao fazer retornar as águas a fim de destruir os soldados egípcios que os perseguiam (Ex 14.27-31) Ele mostrou sua soberania ao mandar alimento para dar sustento ao povo enquanto atravessavam o deserto (Ex 16.4). Em outra ocasião, Ele mandou codornizes ao campo para que tivessem carne (Ex 16.13).

Deus dividiu as águas do rio Jordão para que as pessoas pudessem atravessar em direção a Canaã. (Js 3.1-17) Ele fez cair às muralhas de Jerico (Js 6.7). Na época de Josué, Ele fez com que o sol permanecesse em Gibeão para que Israel tivesse força para obter uma vitória total sobre seus inimigos em fuga. (Js 10.12) A soberania de Deus, na época de Jesus, foi vista quando alimentou de quatro a cinco mil pessoas com alguns pequenos pães e peixes (Mt 14.21), na cura de doentes e ressuscitando de mortos. Por fim, manifestou-se nos eventos ligados à crucificação e ressurreição de Cristo.

O que a soberania de Deus significa diante das "coisas ruins"? Podemos ter certeza de que todas essas coisas estão sujeitas a Deus e de que nada pode nos atingir, a menos que Deus, em sua sabedoria, assim permita. Quando Ele permite que isso aconteça, podemos ter certeza de que o faz para o nosso bem. Recomendo ao Ricardo Godim ou a qualquer pessoa que duvide de que Deus tenha habilidade para, de maneira soberana, entremear os eventos de nossa vida diária para nosso bem maior, a ler o livro de Ester.

Nesse livro, encontramos a soberania, a providência e inflexibilidade de Deus operando, nos bastidores, em favor de seu povo. Ele faz o mesmo para nós. Muitas vezes, ainda que não percebamos, Deus está operando.

A paz seja com todos,

Anderson Ribeiro
Fonte: 
http://dcandersonribeiro.blogspot.com/2011/03/resposta-ao-pr-ricardo-gondim.html