quinta-feira, 23 de julho de 2009

É possível perder a salvação, se ela nos foi concedida pela graça de Deus? (1)


A paz do Senhor a todos...

A postagem abaixo, da lavra de meu amigo e Pr Ciro Zibordi, tem possibilitado um entendimento mais claro sob aspectos inerentes à salvação, e quero compartilhar e difundir a excelente postagem.

"Sempre que eu faço qualquer menção à possibilidade de alguém perder a salvação, sou “bombardeado” com perguntas. No artigo anterior, fiz um comentário acerca do bordão “Uma vez salvo, salvo para sempre”, e alguns irmãos me fizeram vários questionamentos, uns para saber mais sobre o assunto, e outros, para refutar o que eu disse, amigavelmente, é claro. Resolvi criar uma postagem (ou série, se for o caso) pela qual respondo às tais perguntas, acreditando que esse tipo de diálogo ajude os irmãos que ainda têm dúvidas sobre o assunto.

Thiago André Monteiro disse: Você realmente acredita que uma pessoa que verdadeiramente foi salva (convertida, não apenas convencida) pode perder esta salvação a qualquer momento? Deve ser muito difícil e angustiante viver com este peso — “Oba! Agora estou salvo! Ops, agora não! Ufa, agora estou salvo de novo! Ai caramba, agora não!” Tomara que essa pessoa morra no minuto certo, senão pagará eternamente só por causa de alguns segundos.

Minha resposta: Caro Thiago André Monteiro,

É óbvio que uma pessoa verdadeiramente salva e convertida não pode perder a salvação por qualquer motivo e a qualquer momento, enquanto permanecer em Cristo (Jo 15.1-10; 10.26,27). Mas ela pode, sim, perdê-la se passar a ter uma vida relaxada e sem compromisso com a Palavra de Deus (1 Co 15.1,2; 2 Pe 2.20-22; 1 Tm 4.1). Os predestinalistas, que defendem a eleição arbitrária e a graça irresistível (entre outros desvios do evangelho), têm levado esse assunto ao extremo. Pensam que os que prezam a verdade bíblica de que é possível perder a salvação (Ap 3.5) acreditam que uma pessoa é salva e perdida, salva e perdida, salva e perdida, salva e perdida... Num minuto é salva; no outro, perdida. Não, prezado irmão, eu não defendo essa argumentação simplista do salvo-perdido-salvo-perdido-salvo-perdido, pela qual se afirma que alguém pode perder a salvação por qualquer motivo banal, como ficar irritado no trânsito ou cometer um pecado qualquer. Entretanto, não tenho dúvidas de que a permanência consciente no pecado implicará perda da vida eterna. Isso à luz da Palavra de Deus, é claro. Afinal, pensar que uma vez salvo, salvo para sempre é outro extremo. A resposta dos predestinalistas a isso tem sido: quem perdeu a salvação é porque nunca foi salvo. Mas isso não é verdadeiro, principalmente à luz de textos claros como 2 Pedro 2.1. Nesta passagem emprega-se o verbo "resgatar", o qual só se aplica a quem um dia realmente foi salvo, resgatado da vida de pecado (vv.20-21).

Thiago André Monteiro disse: Acho muito bom e produtivo esse tipo de discussão. Primeiramente obrigado pela resposta e, apenas tentando entender quem pensa diferente de mim e que se defende com argumentos bíblicos e sólidos (o senhor sabe que a maioria apela mesmo sem qualquer critério), gostaria de saber como o senhor entende o texto de 1 Coríntios 5.1-5 frente a este assunto. “[...] entreguem esse homem a Satanás, para que o corpo seja destruído, e seu espírito seja salvo no dia do Senhor” (v. 5).Dentro do contexto geral do texto, devo entender que este homem foi ou não salvo? Ele, no meu entendimento, cometia o pecado sistematicamente, sem se preocupar com as conseqüências; no entanto, o texto dá a entender que, mesmo excluído da comunhão dos irmãos e entregue para ser morto fisicamente (“para que o corpo seja destruído”), ele será salvo no dia do Senhor. Novamente insisto que não quero apenas discordar, mas crescer ao ouvir aqueles que se dedicam na Palavra de Deus (mesmo que suas conclusões sejam contrárias às minhas, mesmo porque eu não sou infalível).

Minha resposta:Caro irmão Thiago André Monteiro,
Fico feliz com o seu interesse. E agradeço-lhe pelas palavras de gratidão e incentivo quanto ao meu trabalho. O texto de 1 Coríntios 5.1-5 não é de fácil interpretação, haja vista a contundente declaração do apóstolo Paulo contida no versículo 5. Mas o irmão, em sua pergunta, dá uma pista de como chegar à resposta, ao mencionar a necessidade de conferir o contexto geral da passagem. De fato, o versículo 5, em específico, só pode ser compreendido levando-se em consideração os seus contextos imediato e remoto. Observe que a expressão “seja entregue a Satanás” também aparece em 1 Timóteo 1.19,20: “Alguns fizeram naufrágio na fé. Entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar”. Veja: eles não foram entregues a Satanás para serem condenados, mas para aprenderem a não blasfemar. Em outras palavras, “ser entregue a Satanás” significa deixar alguém novamente aos cuidados do Diabo, como estava antes (Cl 1.13), para que aprenda a ser obediente a Deus. É claro que alguns nem sofrendo aprendem (Pv 29.1). E, nesse caso, só lhes restará a perdição, a qual trazem sobre si mesmos, ao permanecerem na iniquidade (2 Pe 2.1). O que Paulo quis dizer, então? Que a igreja de Corinto não deveria ser conivente com o erro do irmão (irmão?) iníquo, mas excluí-lo da comunhão, a fim de que houvesse possibilidade de ele vir a ser salvo, caso se arrependesse. Deus permite, em alguns casos, que o Diabo seja um instrumento no castigo físico de um crente desviado, que peca de maneira continuada, rejeitando todas as oportunidades que o Senhor lhe dá. Veja o caso da falsa profetisa Jezabel. Jesus disse que lhe dera tempo para se arrepender, e ela não havia se arrependido. Por essa razão, Ele asseverou: “Eis que a porei numa cama...” (Ap 2.20-22). Depreende-se que essa mulher, no leito de dor (enferma), pudesse, enfim, se arrepender. E, caso ela viesse a morrer em decorrência da enfermidade, seria salva. Ou seja, o seu corpo seria destruído, mas o seu espírito, salvo. Por outro lado, o caso mencionado em 1 Coríntios 5.5 não se refere especificamente a enfermidades, e sim a sofrer nas mãos de Satanás. Não é seguro afirmar (pois o texto bíblico não é suficientemente claro quanto a isso), porém tudo indica que esse mesmo iníquo, antes impenitente, é mencionado em 2 Coríntios 2.5-9, já reintegrado à comunhão, depois de ter passado pelo período “entregue a Satanás”, isto é, afastado da comunhão. Em resumo, o propósito da ação drástica recomendada pelo apóstolo Paulo é a salvação final do irmão que estava insistindo em permanecer na vida de pecado, e não a sua destruição eterna por ocasião do julgamento final. Em Cristo,Ciro Sanches Zibordi.
Fonte: Blog do Pr Ciro Zibordi

2 comentários:

Kylven Guedes disse...

Graça e Paz a todos!

Gostaria de manifestar minha alegria de encontrar irmãos neste espaço para conversarmos acerca da Palavra. Como contribuição quero dizer que, segundo está escrito em Ef 2:8, a salvação é um dom, ou seja, não recebemos por merecimento ou esforço nosso, mas é um presente imerecido de Deus. Por sua vez, os dons são irrevogáveis, como encontramos em Rm 11:29. Portanto, a salvação é irrevogável. Ef 1:13,14 nos fala que quando somos convertidos pelo Senhor, somos "selados" pelo seu Espírito, sendo este o penhor, ou "garantia" da nossa Salvação.

Abraços,
Kylven Costa Guedes.

Prof Damasceno disse...

é verdade, meu amigo... pelo que leio, vc entendeu a essência do projeto divino da salvação, que tem origem em Deus e não no homem, mas, não obstante ser uma dádiva que nós não merecemos, precisa ser posta em prática por nós, para que nossa carência espiritual seja suprida... abraço