sábado, 3 de abril de 2010

PÁSCOA: HUMMM, O QUE É "ISSO" MESMO?

A Paz do Senhor a todos!

Hoje pela manhã, ao concluir meu devocional, comecei a "navegar" na blogosfera para buscar uma informação que sintetizasse o significado da Páscoa de maneira clara e didática, e que tivesse embasamento bíblico. Sim, porque já é moda no nosso meio falar e explicar a Páscoa com base na história "fictícia" do coelho como "figura errônea da Páscoa", uma "representação pagã" de uma festa cristã, patati, patatá. Criticamos e as vezes não nos aprofundamos no verdadeiro sentido que a Páscoa deve transmitir para aqueles que a vivenciam realmente, que não fazem do período apenas um momento para faturar mais, tanto financeiramente, como "espiritualmente".

Li muita coisa que pouco se poderia aproveitar, geralmente informações com base em clichês antigos e sem embasamento histórico, muitas com fundamentos apenas em posições controversas religiosas ou de orientações indefinidas. Em resumo, gente atirando para todo lado, querendo aparecer. Gente em busca de holofotes.

Mas eis que em meio a tanto "besteirol pascoanino", eis que encontro uma postagem que está valendo a pena postar um resumo em meu blog, encontrada no ótimo pulpito cristão, do qual sou um dos seguidores, da lavra do Pr Luiz Pereira de Sousa, presbiteriano, que fez um ótimo "mergulho" no tema e nos brindou com as seguintes informações sobre a Páscoa e o seu verdadeiro sentido, que passo a transcrever agora, ipsis literis:

Origens e Significado Originais da Páscoa

A celebração da Páscoa tem sua origem no povo judeu antigo, quando para marcar um dos acontecimentos mais significativos de sua existência, instituiu-se um ritual cuja finalidade era trazer à memória deste povo este importante evento de sua história, há aproximadamente 1230 anos a.C.

Originalmente, a festa da Páscoa era tratada como uma celebração individual, porém, com o passar do tempo passou a ser observada em combinação com a Festa dos Pães Asmos, dada a coincidência das datas de comemoração e significados, ambos relacionados a partida do povo judeu para do Egito.

Deixando, portanto, de lado os ovos de chocolate, os presentes, o comércio e tantas outras tradições estranhas à verdadeira Páscoa, busquemos na Bíblia aspectos fundamentais que nos forneçam informações seguras sobre a origem, a prática, o sentido e as implicações desta celebração para a cristandade.


1) A Concepção da Páscoa

Tanto a Páscoa quanto a Festa dos Pães Asmos segundo a narrativa bíblica, foram concebidos por Deus. Em Êxodo 12, vemos que não houve qualquer participação humana na instituição do rito.

A Páscoa é, portanto, projeto de Deus.

2) Sentido Original

Segundo Êx. 12 e 13 e Deut. 13 e 16, vemos claramente, que a Páscoa está ligada aos atos libertadores de Deus em relação ao povo de Israel, então em cativeiro no Egito. Três idéias podem ser destacadas sobre o sentido verdadeiro e original da Páscoa:
  • Libertação do povo de Deus (Israel) do cativeiro de 430 anos em terras do Egito (Ex. 12:40-42; 23:15 e Deut. 116:1).
  • Libertação do povo da aflição sofrida no Egito (Deut. 16:1-3).
  • Libertação do povo de Deus da ação do Anjo Destruidor que matou a todos os primogênitos do Egito (Ex. 12:27).

3) Praticantes/Observantes Originais

Todos os israelitas estavam obrigados a participação dos rituais da Páscoa e dos Pães Asmos sob pena de morte, excluídos da prática os estrangeiros e assalariados não circuncidados. A prática deveria ser observada anualmente.

4) Período ou Duração da Páscoa

Combinada com a celebração dos Pães Asmos, o ritual era realizado anualmente no 1º mês – (Abibe/Nisan) a partir do dia 14, que coincidia com a primeira lua cheia da primavera e durava até o dia 21 do mesmo mês.


Cronologia da Páscoa


Dia 10 – Compra/separação do Cordeiro Pascal.

Dia 14 – À tarde – imolação do Cordeiro.

Dia 15 – Nas primeiras horas, início do banquete familiar quando era servido o Cordeiro, os pães asmos e as ervas amargas. (Era a Reunião religiosa inicial).

Dias 15/21 – Festa dos Pães Asmos, marcada pela abstinência de fermento, consumo de Pães Asmos e sacrifícios em todos os dias.

Dia 21 – Reunião religiosa final.

5) Os Ingredientes da Páscoa

O Cordeiro (bode ou cabrito)

macho, de um ano, sem defeito.

separado 4 dias antes.

devia ser servido assado – não cru ou cozido – nenhum osso poderia ser quebrado.

o sangue do cordeiro deveria ser usado para marcar vergas e umbrais das portas de cada casa.

a porção servida deveria ser de um cordeiro para cada família ou grupo de família (10 a 20 pessoas).

O cordeiro deveria ser totalmente comido até a manhã seguinte. Eventual sobra deveria ser queimada no fogo, não podendo ser levada para fora da casa. Não se podia sair de casa a noite.


As ervas amargas.

simbolizavam os sofrimentos e dificuldade do povo no cativeiro.

Os pães asmos ou ázimos

pão sem fermento, chamado de “pão da miséria e da aflição”

não podia ser consumido nem possuído fermento nas casas, do dia 14 até o dia 21, sob pena de morte.

lembrava que na noite da saída do Egito não houve tempo para levedar as massas para os pães, pois o povo saiu “às pressas”.

6) A Páscoa e o Cristianismo

A Páscoa, como vimos, instituída por Deus para fazer memória dos seus atos salvíficos na história do povo de Israel, no início foi uma festa familiar, presidida pelo pai de família; porém com o passar do tempo tornou-se uma celebração litúrgica oficial realizada exclusivamente no templo em Jerusalém e afinal, com o advento do cristianismo, foi incorporada pela cristandade como uma celebração que aponta e memoriza a ação libertadora de Cristo para o seu Novo Israel, a Igreja de Cristo – ação libertadora da morte e do pecado, assumindo cada ingrediente tradicional do rito um sentido próprio e atualizado.

Os pães asmos e as ervas amargas – lembra-nos que éramos escravos do mundo e do senhor do mundo – éramos alienados e estrangeiros, mas Deus liberta definitivamente de nossas aflições e sofrimento.

O Cordeiro Pascal – Jesus Cristo é identificado como o cordeiro pascal, cujo sangue derramado livra-nos da morte e abre-nos caminho, para a saída definitiva, da terra da servidão para a liberdade (Jo. 1:29; I Co 5:7 e I Pe 1:19)


Conclusão

A Páscoa antiga marcou a libertação do povo de Deus do Antigo Testamento, de sua aflição e escravidão no Egito, da mesma forma que a celebração atual marca as ações libertadoras de Deus – através de Seu Filho, Jesus, com sua Paixão, Morte e Ressurreição – livrando-nos do sofrimento, da escravidão e da morte.

Pois é, estas informações nos enriquecem, certamente. A briga por venda de "Ovos da Páscoa", uma batalha comercial e capitalista, não. Nem tampouco ataques pessoais "de líderes religiosos" contra outros "líderes religiosos", de "denominações diferentes" (como se lá no céu houvesse distinção de Placa de Igreja, de Nome de líder A ou B ou C, etc), não.

Já parou para pensar nisso?

Nos laços do Calvário, 
Prof Damasceno

2 comentários:

Alfredo de Souza disse...

Caríssimo Prof. Damasceno, tornei-me um seguidor do seu espaço.

Forte abraço.

Prof Damasceno disse...

Graça e Paz, amigo Alfredo... Grato por me seguir... tomei a liberdade de indicar seu blog para meus amigos e amigas mais chegados, que possuem um elevado espírito crítico e visão cognoscente sobre o que acontece diariamente no nosso país, seja nos nossos púlpitos ou no palco da sociedade... se o amado entender de ser recíproco, vou receber a iniciativa de bom grado..

Prof Damasceno
www.profdamasceno.blogspot.com